terça-feira, 30 de setembro de 2014

sábado, 27 de setembro de 2014

Estudando um pouco da finitude com Dostoiévski

 
"Eles não desejavam  nada e eram serenos, não ansiavam pelo conhecimento da vida como nós ansiamos por tomar consciência dela, porque sua vida era plena.  Mas sua sabedoria era mais profunda e mais elevada que a nossa ciência; uma vez que a nossa ciência buscar explicar o que é  a vida, ela mesma anseia por tomar consciência da vida para ensinar os outros a viver... ao passo que eles, mesmo sem ciência, sabiam como viver".
 
Dostoiévski



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Trinta linhas de prosa sobre o Casarão, by Jocemar de Souza Barros

“Trinta linhas de prosa sobre o Casarão”

... E como se percebessem aquele estado de quase abandono, as pequenas folhas secas e amareladas eram trazidas e conduzidas pelo vento, invadindo e deslizando alvoroçadas pelos corredores do velho casarão, e com o simples roçar de seus corpos leves com o chão, de certa forma, quebravam discreta e suavemente o silêncio e a sensação de vazio deixada pela ausência das pessoas.

Lá fora, a frondosa mangueira da frente do prédio, permanecia majestosa e balançando sua copa ao contato do vento, abrigando entre seus galhos e folhagem os pássaros que pareciam cantar reclamando a presença daquela gente, que até poucos dias atrás, circulava pelo passeio no entorno do jardim, desfrutando de sua generosa sombra e geralmente alheia ao cantarolar espaçado das aves, não lhes dando a merecida atenção, certamente tomada pela rotina e preocupações com os afazeres do dia-a-dia. Os camaleões, habituais vizinhos, pareciam mais atrevidos, arriscando um número maior de aparições e passeios à luz do dia, já sem tanta preocupação com a camuflagem ou mesmo com o risco de serem atropelados por alguém mais distraído.

Descontando-se o tilintar das folhas e o canto descontraído dos pássaros, era quase possível ouvir-se o silêncio ao passar pelos corredores do casarão.

Ao olhar para dentro dos salões apagados e vazios, guardando apenas a mobília abandonada, podia-se dar vazão a pequenos flashes de memória dos dias agitados de tempos recentes e mais ainda, lembrar-se de quantos já haviam passado por ali, em tempos mais remotos.

Na verdade, o velho casarão abrigou e assistiu algumas gerações - que se renovaram como tudo tem de ser, afinal - passando incólume pelo tempo, resistindo impávido à ação contínua e aos golpes frequentes da natureza.

Assim, em poucos dias, o velho casarão, após ter cumprido seu papel por décadas, fará parte do passado de toda gente que por ali passou, viveu e conviveu, e as folhas e o vento e os pássaros e até mesmo os camaleões, poderão passear livremente através de seus corredores, que pela simetria, muitas vezes confundiram os visitantes menos habituais, até que a estrutura cumpra seu destino final, voltando ao pó e guardando para sempre as várias histórias ali vividas, das quais foi parte integrante, dando lugar ao novo espaço planejado; quem sabe até, para ser um novo Casarão!

Jocemar de Souza Barros.

RJ, 22/09/2014



terça-feira, 16 de setembro de 2014

Aqui é o planeta Terra...

Frente a tudo que vejo nesta vida... faz-me lembrar uma palestra em que Divaldo Franco, ouviu de uma senhora que seu neto era ao mesmo tempo seu filho, uma vez que teve relações com o próprio filho... Assustado com a revelação, Joanna de Angelis, sua mentora, alertou-o: " POR QUE ESSE ESPANTO, DIVALDO ?  AQUI É O PLANETA TERRA "
Diante disso, nada mais tenho a declarar no dia de hoje!

domingo, 7 de setembro de 2014

Em tempos de eleição... é bom recordar!

"...Política não se faz com ódio, pois não é função hepática. É filha da consciência, irmã do caráter, hóspede do coração. Eventualmente, pode até ser açoitada pela mesma cólera com que Jesus Cristo, o político da Paz e da Justiça, expulsou os vendilhões do Templo. Nunca com a raiva dos invejosos, maledicentes, frustrados ou ressentidos. Sejamos fiéis ao evangelho de Santo Agostinho: ódio ao pecado, amor ao pecador. Quem não se interessa pela política, não se interessa pela vida..."
Ulysses Guimarães

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Por mais mil anos... para sempre


05/09/2014

Hoje seria um dia de comemoração com minha avozinha se ela ainda estivesse neste plano. Mas ela não está e isso me deixa nostálgica pois é mais uma pessoa querida que eu perdi.  Meu Deus, como as pessoas fazem falta, e nem percebemos o quanto, até que a perdemos. Lidar com essa finitude da vida que conhecemos é um exercício diário. Lidar com a perda, é um sentimento tão abrupto... e ninguém consegue me passar uma receita de como amenizar a saudade... Ultimamente, eu tenho tido minhas primeiras perdas e não está sendo fácil administrá-las e penso muito o que virá ainda, no futuro. Eu sempre ouvia amigos mais experientes falando sobre isso... mas a vida... a vida ensina a cada um de forma personalizada. De muito pouco vale o meu depoimento. Poucos entenderão o que sinto, mas um dia, todos entenderão. O tempo é o maior professor do conhecimento, não há dúvida disso, e isso, eu já entendi. Mesmo eu acreditando que há vida após essa vida, continuo engatinhando nesse mistério. Eu me conforto com as boas lembranças que guardo comigo. Eu aproveitei o que pude, embora saiba que poderíamos ter aproveitado mais. É minha história sendo escrita, meus passos neste caminho. É tudo tão estranho... Volto meus pensamentos às perguntas que vira e mexe, embaralham minha mente: de onde viemos, pra quê, por quê viemos e afinal, pra onde vamos? O importante nesse momento, é que estou aprendendo a ter mais paciência com a vida, com as pessoas ao meu redor, e isso é tão difícil. Tudo que fazemos fica gravado em algum lugar, uma infinita memória; um super HD que mais tarde vai nos servir para alguma coisa, para nos mostrar os erros ou acertos? No que mudamos, melhoramos? Em como nos comportamos com o passar da vida e o que aprendemos com tudo isso? Não sei explicar. Hoje eu sinto saudade, e isso basta para me fazer repensar tudo o que até hoje vivi. Eu desejo que minha avó esteja bem... e que de alguma forma, meu carinho chegue até o coração dela.  
 
 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Preços descabidos!!!

Geennteeeeeemmm!!!! O que está acontecendo com o mundo??? A comida está mais cara nas prateleiras dos supermercados. Vou ao mercado 1 vez por semana, e estou a par dos preços, tanto em função do valor da coisa em si, assim como pela diferença entre mercados mais "populares" e mercados mais "caros". Toda pessoa que frequenta supermercados sabe os preços do que compra semanalmente. 

Eu ontem levei um baita susto!!! 


O preço da carne aumentou vergonhosamente, itens como queijos, hortifrutis, feijão, azeite... nossa! Semana passada, fui ao mesmo supermercado, comprei praticamente os mesmos produtos e a conta foi mais baixa. O engraçado, é observar a cara de desespero das pessoas... olhando para as prateleiras, tentando imaginar o que pode ter acontecido com a economia desse país (nesta última semana) que justificasse a alta dos commodities... Os consumidores andando a ermo, como se fossem zumbis... sabendo que algo estava estranho, mas todos nós sem saber o porquê. 

Qual remédio? deixar de comer? ou levar produtos de baixa qualidade para encher a pança? Qualquer dia desses, estaremos satisfeitos tomando sopa de papelão... e a economia? Lá em cima... e os governantes? sacaneando cada vez mais... e os impostos? usurpando até o último centavo do povo.

Eleição tá chegando... só digo isso! (por enquanto).




quarta-feira, 16 de julho de 2014

Vida... vida que segue...

Eu perdi muita coisa em minha vida.
Eu perdi muita coisa porque não tive paciência para esperar que essas coisas se resolvessem por conta do seu próprio tempo. Eu quis ser mais rápida que o tempo... eu quis acelerar o processo, ir mais depressa que o vento. Por isso, perdi. Perdi muito, quase tudo do que eu poderia ter ganho, se tivesse esperado. Eu tive a escolha da espera ou a pressa de fazer e/ou tentar resolver as coisas do meu modo. Por ondava a minha paciência naquela época? Por que eu não deixei que o tempo se encarregasse das coisas? Por que eu imaginava - na minha santa ignorância juvenil - que eu soubesse os passos certos a dar? Hoje eu olho pra trás... e mesmo não me lamentando ( porque eu não posso me arrepender nunca das minhas escolhas ) sinto que hoje eu teria feito diferente. Muita coisa teria tido o desfecho sonhado. Refletindo sobre as diversas etapas de minha vida, onde eu abraçava as minhas escolhas no intuito de fazer melhor, conseguir do meu jeito, nem sempre consegui o resultado almejado. Muitos tiros saíram pela culatra.
Enfim... vida que segue...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

São Bento - 11/07/2014

CRUX SACRA SITI MIHI LUX

NON DRACO SITI MIHI DUX

VADE RETRO SÁTANA

NUNQUAM SUADE MIHI VANA

SUNT MALA QUAE LIBAS

IPSE VENENA BIBAS


terça-feira, 1 de julho de 2014

domingo, 29 de junho de 2014

Apenas o que pensas...

E chega então o temido dia...
Agora é hora de pôr a prova toda a certeza que conservastes nos teus dias de descanso.
Não vai ser fácil.
Pra todos os efeitos, contas com a robustez que pensas ter adquirido com minha falta. Como palpitarás no decorrer das horas? Quantas partes de medicina serão necessárias para aplacar seu pensamento? E o impulso que pulsas por mim? Como vais deter a necessidade imperiosa, irresistível e impetuosa de pensar em nossa vida em comum? Não sabes o que é isso... Não tens idéia do poder do sismo... E sei com toda a certeza de que o dia amanhecerá após a noite, que não terás a medida suficiente para preencher seus dias de números. O mundo quadradinho tremerá em sua base e suas linhas retas e esquadrinhadas tornar-se-ão ondas curvas, sinuosas, e pensarás novamente em um novo mundo, uma outra possibilidade... E incontinente, lembrarás de minhas palavras e não mais terás a veemência necessária pra cumprir sua prova... Não porque não mereças... mas porque não conseguirás seguir na mesma linha.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Panis et Circenses

Hoje eu não estou bem... já faz um tempo que não estou bem... ás vezes parece que não faço mais parte deste mundo. Tá tudo tão estranho, as coisas tão erradas, que me pergunto o quê, pra quê, por quê... Vejo tantas coisas estranhas acontecendo. O mundo tá de cabeça pra baixo? Será que apenas eu estou nesse questionamento? Eu vejo pessoas ignóbeis, vivendo em um mundo de loucura, mentiras... pessoas utópicas... vagando em um mundo de quimeras. Sei lá...  Hoje meu momento é de perdas... Estou vendo parte de minha história se acabar, esvaindo-se sem que eu entenda a  lógica desta vida. Há uma semana atrás eu perdi uma pessoa da família e hoje perdi uma amiga que conheci em minha adolescência. Quando eu falo em perdas, não falo somente de morte. Não falo apenas do ciclo da vida, que vai se renovando. Eu não acredito na morte como a maioria das pessoas, não é sobre isso que tento escrever agora. Eu discorro sobre a perda, sob outra forma... de uma maneira insana, cruel, sem que se possa entender o porquê de como se deu a perda. Minha tia avó era velhinha, era uma mulher de idade... mas saber que ela vivia, era uma forma, em meu íntimo, de saber que ela era a irmã de minha avó - que faleceu muito jovem e nem conheci... era bom! Mesmo morando em outra cidade, em outro estado, eu sabia que ela estava lá.... que tinha as coisinhas dela... e minha parcela egoísta de ser humano se sentia confortável de saber que ela estava viva, ali, no dia-a-dia dela. O pior da minha dor, é saber que minha querida tia avó, faleceu não apenas pela idade, não porque a missão dela havia acabado por aqui. Minha tia avó foi vítima de um governo corrupto, safado, que não fornece saúde de qualidade a sua nação. Minha dor é a dor de milhões de brasileiros que sofrem sem estrutura hospitalar digna. E olha que minha avó teve assistência moral, cuidado e amor de seu filho... mas me dói saber que meu país trata com descaso o povo que o mantém.  Há 3 semanas, minha comadre perdeu sua mãe, assim como minha tia avó, de infecção hospitalar. E eu também sofri. Hoje, faleceu, igualmente,  de infecção hospitalar minha professora de língua russa. Quando a conheci, eu tinha 14 anos e a cabeça cheia de sonhos. Eu não tinha idéia do que era ser adulta. Minha professora de russo foi professora dos meus tios e também de minha mãe, a quem se tornou grande amiga e assim, os laços de amizade foram se estreitando. Hoje eu tive mais essa perda. Todos esses episódios, me marcam... Eu olho para os lados e vejo pessoas achando o máximo ter Copa do Mundo aqui no nosso país. Eu sinto vergonha! E esse sentimento dói em mim de forma muito particular. Não consigo entender como as pessoas podem aceitar esse evento em um país de tamanha carência. Nos falta de tudo um pouco... faltam escolas e creches para milhares de crianças. Temos milhões de adultos analfabetos. Vivemos uma extrema insegurança. Não podemos contar com uma justiça de igualdade, a isonomia não é para todos, a justiça não é erga omnes. A liberdade de expressão não é  100% democrática... talvez  não chegue a 10%... Eu vejo tanta sujeira pra todos os lados. Eu ainda vejo a fome nos rostos, apesar de tantas bolsas no governo. É tanta carência, falta tanto a este país tão lindo, porém que vive no  meio de lama, um submundo medíocre, governado por escórias. Escroques sem coração... não dão nem o mínimo de dignidade aos seus... Eu não consigo entender... quiçá eu fosse mais feliz, se fosse ignorante como a maioria que ri de sua própria desgraça. Vi no noticiário um homem que perdeu sua casa, junto com sua dignidade e demais pertences materiais alojado em uma escola pública, vítima de alagamentos ocasionados por chuvas no sul do país, comemorando  o placar de um jogo sofrido e suado de nossa seleção.  Deus que me perdoe, mas eu não vejo vantagem nisso. Eu não consigo sorrir ao analisar que trabalho meses a fio durante um ano, para pagar impostos severamente abusivos e não ver retorno do dinheiro, que deveria ser aplicado a favor das necessidades básicas de um país. Eu ainda preciso agradecer por ter um trabalho que me sustenta... mas cada dia que passa, fica mais difícil. O que está acontecendo com o mundo? Por que as pessoas se dopam com pinceladas de alegrias, quando as necessidades mais básicas estão sendo esquecidas numa tela de TV ?  Eu não entendo... A massa talvez se revolte com minhas linhas... As pessoas talvez se afastem por imaginar que a utópica seja eu. Não... não sou melhor que ninguém, nem tenho a pretensão de mudar o mundo sozinha. Mas me assusta saber que meu escrutínio não vai valer de nada ao ser apurado... provavelmente as urnas não serão secretas a ponto de mudar o panorama que observo. Hoje o dia não foi legal... Hoje eu não estou bem. Hoje me sinto triste e à margem de um quadro difícil de ser resolvido... a maioria está torcendo por alguns caras chutando uma bola... e enquanto isso,  pessoas morrem, pessoas sentem fome, pessoas vivem sem ter como viver. E o tempo não para... e amanhã o dia nasce de novo, e nada muda. Resta-me olhar essa falsa alegria estampada, e quando não mais aguentar, correr para ( meu ) local seguro, onde então observo com segurança esse cenário de pão e circo.