terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sozinha, eu não posso!

Sozinha eu não posso arcar com o custo da culpa de não conseguir ter o melhor relacionamento com os que me cercam. Sozinha eu não tenho como consertar as mazelas da vida, não tenho como desfazer mal entendidos que são capazes de afastar corações, amizades, afastar laços de família, relacionamentos que deveriam ser " para sempre ". Eu sozinha, não consigo. Eu não sou nada sozinha! Sou um ser errante, igual a todos os que se "acham" certos, mas que não passam de errantes... assim como eu. Eu me machuco, não pela minha própria sensibilidade... mas pela insensibilidade das pessoas, pela arrogância, pela falta da capacidade de perdoar, pela falta do verdadeiro amor que o próprio Jesus encarnado nesta terra, veio - tentar sem  muito sucesso - nos ensinar. Eu não sou perfeita, e já fui muito pior. Mas um dia, eu tive a curiosidade de experimentar a tal da experiência com Deus, e abri então meu coração. Tudo de errado que eu já fiz nesta existência, eu tenho a certeza que eu vou pagar a todos a quem ofendi, a quem magoei, a quem maculei com minhas maldades e imperfeições. Deus é amor, mas Deus também é justiça... Mas eu também aprendi, que o amor de Deus é mais abrangente que todo o castigo, até porque, em meu entendimento pessoal, nós mesmos, os "errantes" temos em algum momento - nesta vida ou em outra - a possibilidade e o direito de fazermos um ato de penitência sobre nossos atos enquanto humanos. Eu levaria dias e horas tentando listar todos meus atos de vergonha... eu levaria anos para tentar convencer algumas pessoas que meu coração hoje não é mais o órgão sujo que batia contente fazendo a infelicidade de outros. Todos nós temos nossa auto penitência quando descortinamos os mistérios da vida e da morte. Infelizmente, eu não tenho como provar nada aos que me julgam. E tampouco me interessa o julgamento dos errantes. Se alguém continua pensando em mim, como eu fui outrora, lamento que esse alguém não se permita conhecer a Graça que Deus fez em mim. Eu não tenho como voltar atrás e fazer um novo começo... mas também não é por isso que eu preciso continuar errante como eu sempre fui. É por isso, que sozinha, eu não posso arcar com a culpa de não se relacionar bem com os que me cercam. Eu não sou nada sozinha! Eu não teria chegado a essa conclusão sem o amor de Deus. Eu precisei aceitar meus erros, eu precisei e preciso viver o mistério da vida, o mistério de Deus. Não sou abobalhada em relação à religião, porque pra mim, religião é o que separa o homem de Deus. Não sou beata... sou Católica sim, por nascimento, mas também sou Kardecista, pois creio que a reencarnação é questão de justiça... de voltar fazer o novo começo, de regenerar nossas faltas com aqueles a quem ferimos. Eu estou acima de qualquer denominação religiosa. Não me apego a convenções dogmáticas criadas a partir de apelos políticos e religiosos... Mas sou testemunha viva do amor de Deus em minha vida. Pode ser utopia... mas eu nunca vi uma relação de utopia mudar tanto o modo interior de um ser. Eu não faço questão de ser entendida, não tenho a pretensão de ser perdoada, mas com certeza eu terei o direito e o dever de pagar a quem eu tenha ferido. Portanto, para finalizar o meu humilde entendimento, eu não quero ser a dona da verdade, à todos é conferido o livre arbítrio de acreditar ou não num poder maior... Mas eu me eximo de compartilhar a culpa alheia. Me sinto isenta de responder por atos de terceiros. E sinto pena daqueles que cultivam o desamor. Eu rezo pelos (ex) desafetos, porque eu decidi que em minha vida, só há espaço para o que é bom e divino. Eu escolhi o amor de Deus.

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