quinta-feira, 22 de abril de 2010

22/04


Ela era só uma menina quando eu nasci. Tinha 18 pra 19 anos e a responsabilidade de cuidar de um bebê que chorava a noite toda de cólicas. Desde os 12, já não tinha mãe. E sozinha aprendeu a manejar um corpinho que pesava menos de 3 quilos. Ela sofreu, amou, aprendeu, sobreviveu e porque não dizer que quase enlouqueceu com as amarguras da vida. Lutou... lutou e continua lutando com o narizinho em pé. Ela é assim. Turrona, birrenta, mas faz cada desenho incrível com as mãos gordinhas de dedos grossos. Foi assim que ela me alimentou. Foi assim que ela me fez quem sou. Com o seu desenho. Fez desenho artístico, passou pela arquitetura e parou nas telecomunicações. Imagina coisas onde não vejo nada... Vê um tronco e imagina uma cobra... É uma artesã nata! Faz desenhos em pedra e poções mágicas, com direito à casa de bruxa no sótão e tudo. Casou-se tão cedo, que parece a irmã mais velha dos dois filhos. É de touro, gênio forte; sempre quis ser bailarina... por isso, eu fui também. Quis ser miss, por isso, eu fui também. Tem a mania de escrever tudo na agenda, às vezes em português, às vezes em russo. Mas sempre escreve, por isso eu escrevo também. Fazia com os 2 filhos, caminhadas na floresta, escaladas e piqueniques quando o que precisava era de alguém pra lhe dar colo. Até hoje faz pegadas do coelhinho da Páscoa em farinha de trigo, mas não esconde mais os ovos... e ainda briga se eu como demais. Foi homem e mulher, foi pai e mãe, foi forte e frágil, continua sendo meu céu e meu inferno. Quando eu repreendo seus atos, sou pega no flagrante cometendo as mesmas atitudes... Tá no sangue, tá no DNA, tá na pinta que também trago no peito, tá no verde dos olhos e no cabelo louro e comprido, que insiste em brilhar nos raios do sol. É guerreira, incansável, enérgica, esportista, vai nadando do Posto 6 ao Leme, 4Km na praia de Copacabana, corre o calçadão, corre com lobos... é louca... eu vou correndo; de carro, claro! Ama seus bichos, adora crianças. Anda com os passos rapidinhos, perninha grossa, é menor que eu. Vai ser bom, não foi? Eu penso no desespero que passou comigo na infância... fui uma criança difícil, nem te digo o diabo que fui na adolescência... Imagina... ainda sou. Ela nos criou para a vida, ela nos criou para sobreviver no mundo, sobreviver a toda e qualquer adversidade. Ela me ensinou a nunca morrer antes do tempo. Nessa foto, ela era mais nova que a idade que tenho agora... eu tinha 16 anos. Ela ainda vestia manequim 36/38. Acho que ela fica assustada com o tempo que já se passou... Fomos meninas juntas, adultas juntas, e agora já estamos passando pra outra idade... espero que juntas. Ela se assusta com a minha idade, mas sempre digo a ela que feliz é aquele que envelhece. Ela faz conta pra saber a idade que ela tem a partir da minha. - "Credo, eu não tenho uma filha dessa idade" - ela sempre diz... Mas adoooooooora quando alguém nos confunde na rua.... Mãe, feliz aniversário! Obrigada por tudo. Você deu o melhor de ti para nós. Sou muito grata! Devo a você quem eu sou.

2 comentários:

  1. Caramba Siecko !!! Que linda homenagem !!! Não me surpeende, pois é bem o seu estilo. Sincera, honesta, verdadeira. Gostei de ter lido isso. Grande abraço

    Hércules

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  2. Muito bom, adorei o texto e a singela homenagem a sua mãe.

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