sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta-Feira Santa - Procissão da Paixão de Cristo - 14/04/2017

Meu irmão, meu amado irmão Walter Sieczko dos Santos, eu precisei muito dessa quaresma, precisei assim como o ar que respiro. Eu estou em oração desde antes de descobrirmos a doença que te levou. Não sei, algo me dizia que tempos difíceis iriam chegar... eu só não imaginava que ia perder você, meu irmão.
Tem sido muito difícil acreditar que você não caminha mais neste mundo. Não consigo acreditar que você se foi, que vive agora em outro plano.  Eu não me revolto, mas é difícil acreditar. Eu precisava de algo que simbolizasse essa despedida. Eu não tive o direito de te carregar, nem de cantar pra você. Talvez eu nunca me recupere da falta dessa despedida. Como eu te amo, meu irmão! A quaresma me ofereceu a introspecção necessária, para que com as orações e a fé no grande mistério da vida, eu possa digerir toda essa falta que você vai fazer pra sempre, enquanto eu viver nesta terra. Jesus foi tentado, traído, condenado, torturado, humilhado, crucificado e morto. Foi sepultado. Sua mãe chorou e sofreu com  a agonia prolongada de todo esse suplício. Até que José de Arimatéia pedisse para sepultar o corpo do Cristo.   
E assim o fez. Nossa Senhora sentiu todo o sofrimento de Jesus. Pegou seu filho amado nos braços, figura lindíssima de Pietá. Com toda sua dor, pôde sepultar seu filho. Eu participei da procissão, meu irmãozinho! Eu beijei os pés de Cristo crucificado, pedindo a Ele, que o tenha em seu reino. Deus é Contigo! A missa foi linda e me emocionou muito. Nunca antes eu tinha sentido tão profundamente a importância do amor da Paixão de Cristo. A vida ensina, meu irmão... a vida segue seu rumo, sempre nos ensinando o caminho que devemos seguir. Quem dera, pudéssemos entender esse mistério pelo amor e não pela dor! Chorei... chorei muito, de amor, chorei de saudade, chorei de dó que tenho por essa nossa própria humanidade. Somos todos tão orgulhosos e imperfeitos. E Deus amou tanto a humanidade, que deu em holocausto seu filho único e amado, em suplício, para que nós - um bando de gente egoísta e imperfeita - fôssemos salvos. É difícil entender os desígnios de Deus, Waltinho... eu mesma, em minha infinita pequenez, não entendo... eu busco, procuro, medito, estudo, rezo, peço... mas sou incapaz de entender os propósitos de Deus. Talvez seja uma coisa tão simples... mas que meus olhos humanos não alcançam esse entendimento. Assim, eu, sua irmã, às vezes me ouso a questionar a grandeza de Deus... não chega a ser blasfêmia, porque eu amo a Deus acima de qualquer coisa e o respeito com minha própria existência. Mas sei que sou filha amada, e como filha, tenho intimidade para questionar o que eu não sou capaz de entender. Deus pacientemente me acolhe, mesmo eu continuando a não entender... Ele acalma minha dor, e balsamiza meu coração. Eu sei que um dia terei essas respostas, eu sei que um dia estarei na presença de Jesus, serei acolhida por nossa Mãezinha do Céu... Nossa Senhora, mãe de todas a mães. Eu tive o privilégio de carregar Nossa Senhora das Dores!!! Eu não larguei o andor. Eu senti um pouquinho do peso da dor de Nossa Senhora. Não que eu seja capaz de suportar a dor que Ela suportou... não, não é isso, eu não tenho a pureza e a divindade desta Santa Mulher que foi escolhida para ser a mãe de Jesus. Longe de mim achar isso. Mas eu me senti tão acolhida, tão abraçada por Ela... Não consegui conter a emoção que Nossa Senhora das Dores me proporcionou. E em toda a caminhada, nesta procissão, eu senti você perto de mim, meu irmão! Deus me regalou o presente de te sentir. Eu precisava sentir! O Jeffrey King me auxiliou, me deu as forças necessárias para aguentar o peso terreno da imagem da Santa em cima do andor. Como eu agradeço! Eu só tenho a agradecer! Deus me ouve e fala comigo! Deus me ama, assim como ama você. A procissão para mim teve um significado muito especial! Deus me deu você de novo, para que eu pudesse te carregar, para que eu pudesse seguir adiante, para que eu consiga suportar a falta que seu funeral fez a mim. Te carreguei pela última vez, meditando nas lágrimas da sua mãe, na primeira vez que te peguei no colo quando você chegou da maternidade nos braços dela e ela te deu a mim. Eu precisava deste ritual, e Deus sabia disso. Deus sabe de tudo, Ele conhece a todos nós! Acho que nossa mãe também precisava desse culto. Deu alívio, a mim e a ela. Afinal, antes mesmo de eu ganhar você, você já vivia dentro dela. Você só nasceu porque nossos pais nasceram antes. Alguém antes de mim, já amava você, já cuidava de você, alimentou você. Essa coisa de mãe é coisa muito séria. Com amor de mãe, não se brinca! Embora algo me diga que já fui também a sua mãe em outra encarnação, eu fico satisfeita de ter vindo sua irmã nesta existência. O amor nunca morre, meu irmão! O amor é o sentimento mais forte que existe, desde o primeiro dia que Deus resolveu criar o céu e a terra, criar o dia e a noite, os mares, as florestas, o homem e a mulher, para que fossem soberanos sobre a terra. Todo esse amor, veio na figura de Maria, Nossa Senhora... Toda mulher tem em si, um pouco de Maria. É com esse amor que eu amo você, Waltinho! Foram passos de dor, luta, paixão, despedida... 

Waltinho, sinta meu amor, sinta meu carinho. Esteja bem, por favor! A Cema deve estar com você, eu sinto que ela está. Nossa família que já partiu, nossos amigos espirituais... eu tenho certeza que estão cuidando de você. Hoje talvez você tenha mais compreensão do que eu, você deve saber que as coisas acontecem porque tem algum motivo de acontecer. Apenas peço que sinta a minha energia, que escute as minhas preces pra você e para nós. Sinto muita saudade de conversar com você. 
 Jesus Cristo, Senhor nosso, tende misericórdia de nós! 

Eu precisava participar, eu precisava carregar minha própria dor, eu senti uma presença divina. Hoje ainda sinto a dor dessa presença em meus ombros, e a sinto com grande prazer. Foi muito importante pra mim, irmão.


Com você, sempre no meu coração!

Sexta-Feira Santa - Missa da Paixão de Cristo - Padre Fabio - 14/04/2017








Sexta-Feira Santa - 14/04/2017 - Almoço


 Nosso almoço de Páscoa.
  Nossa família reunida. Bem simples, porque já, já vamos à missa da Paixão de Cristo e procissão.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quinta-Feira Santa - 13/04/2017


 Evangelho segundo São João 13,1-15.

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 
No decorrer da ceia, tendo já o Demônio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. 
Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?».
Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde».
Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

Lava pés - Páscoa 2017 - Padre Fabio Edu


A missa de Quinta-feira
Padre Fabio é um homem abençoado.

Simplicidade e amor ao próximo.

Orfanato Romão Duarte - Visita de Páscoa


Foi um dia memorável...
Sentimento bom.
Acolhimento, carinho, amor!





quarta-feira, 12 de abril de 2017

Ruth Manus - Viver longe dos irmãos


http://emais.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/viver-longe-dos-irmaos/


Texto de Ruth Manus


Comportamento

Viver longe dos irmãos

POR RUTH MANUS
22/03/2017, 16h15
6
É viver meio longe de nós mesmos
 Houve um tempo em que morar na mesma casa é que era o problema. Começamos com as disputas pelos brinquedos, depois pelo controle remoto, evoluindo para a trilha sonora no carro e o tempo de ocupação do banheiro. Tudo era razão para eclodir um embrião de guerra civil.
 Todos nós já desejamos, do alto da nossa imaturidade convicta, que eles desaparecessem daquela casa. Que eles não acabassem com as bolachas recheadas, não comessem o último pedaço da lasanha, nem sumissem com as nossas meias preferidas. Já gritamos enfurecidos, dizendo que preferíamos dividir quarto com um animal qualquer do que com eles.
 E então os anos passaram e finalmente saímos de casa. Nós ou eles, ou nós e eles. Carreira, estudos, casamento ou qualquer outra razão fez com que aquele velho ninho da discórdia passasse a fazer parte apenas da memória e não mais de um dia a dia conturbado.
 Pareceu-nos, muitas vezes, na ignorância da infância ou na estupidez da adolescência, que a felicidade seria muito mais viável sem a presença diuturna daquelas criaturas que insistiam em invadir nosso espaço, apesar de todas as ameaças que julgávamos lhes fazer.
 Mas essa ideia, como tantas outras que imaginávamos sobre a vida adulta, era uma cilada.
 Hoje descobrimos que é extremamente dolorido ter que aproveitar a presença deles em eventos com hora marcada para terminar. Almoços, jantares, visitas. Que coisa sem cabimento. Eles têm hora para ir embora? Eu tenho hora para ir embora? Não, espera aí. Irmãos não foram feitos para ir embora. Foram feitos para ficar aqui, para podermos brigar sem pressa, ofender sem querer e amar sem prazo.
 Agora nos flagramos adultos, acelerando as conversas quando nos vemos, tentando aproveitar-nos ao máximo, lutando contra o relógio. Nos vemos tapando buracos com mensagens de whatsapp e linkando seus nomes em publicações de redes sociais que só eles entenderão. E às vezes, como quem sente uma pontada no peito, nos damos conta de que isso é tão, tão pouco.
 As distâncias variam. Alguns moram a 50 metros, outros a 50km. Outros mais sofridos vivem a 500km ou 5.000km. Em sua medida, todos sabem como doer. Os beliscões de antigamente foram substituídos por abraços sedentos. E nós descobrimos que os abraços raros doem muito mais do que os beliscões raivosos.
 É bom saber que todos tomamos algum rumo, ainda que torto. É bom ver que a vida de cada um de nós caminhou. Mas é quase insuportável a ideia de tornar-se um espectador na vida de um irmão. Logo nós! Logo nós que sempre fomos os protagonistas de todos os espetáculos e shows de horrores das vidas deles… Logo nós.
 Irmãos nunca deveriam ficar longe uns dos outros. Juntos sempre foi melhor. Brigando, criticando, estapeando. O problema é que a vida adulta não nos faculta o luxo do perdão automático, nem da memória curta. Talvez por isso o tempo nos obrigue a aceitar alguma distância. Talvez, depois de abandonar a infância, a distância seja exatamente o que nos mantenha mais unidos.
 Não sei. Sei que, de um modo ou de outro, machuca. Ir embora sem conversar tanto quanto queria, pedir socorro às tecnologias para sentir-se menos distante, não ter nem tempo para brigar e beliscar como sempre foi. Mas é uma daquelas dorzinhas de sorte. Da qual só usufrui quem teve a sorte de ter um irmão presente, que já foi odiável e irritante, mas que hoje é uma saudade diária e a certeza de que para estar junto não é preciso estar perto.

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Muito fácil...

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terça-feira, 11 de abril de 2017

78 dias sem você.

Waltinho, meu irmão... hoje, depois de 78 dias desde a última vez que te vi, eu senti um quentinho bom... Senti um coraçãozinho batendo junto do meu. Senti meu amor por você tão de perto... eu tive momentos de alívio de alma. Fiquei muito pensativa, mas foram momentos de beleza, de amor. Hoje, como tem sido nos últimos anos, mais uma vez eu participei de uma ação com crianças... Fui, junto com a empresa, distribuir ovos de páscoa no Orfanato Romão Duarte. A fé em Deus e a certeza que tudo tem um porquê, me mantém sã. E fazer o bem, praticar a caridade, dar um pouquinho do meu tempo para as crianças de um orfanato me levaram até você. Lembro de suas palavras quando me contou da sua experiência em visitas a um orfanato. Você é uma alma pura. Você foi um menino bom. Sempre vou agradecer pela experiência de ter vindo neste mundo como sua irmã mais velha. Cada dia que passa, minha saudade aumenta. Ela não diminui, não abranda... saudade não se sente no diminutivo... saudade é superlativo, e o amor, também. Sentimento bom. Estou "doce" até agora, literalmente com chocolate nos cabelos... suja de rolar no chão, brinquei com as crianças... estou com os braços pesados de tantos corpinhos sedentos de atenção e carinho. Uma bebê me abraçou tão forte...meu Deus, não tem nem dois anos... mas tem uma força de leão, sabe? E ficou aninhada no meu colo, quietinha, trocando calor e energia comigo. A doação é assim: a gente doa o que precisa doar, mais o retorno é muito maior do que se foi doado. Eu recebi mais que ovos de páscoa, eu recebi carinhos que não podem ser pagos. Nenhum dinheiro do mundo vale mais que um gesto de amor. Lembrei de você, meu irmão... lembrei do seu quentinho quando eu te ajudava a se levantar da cama do Hospital... eu aproveitava e abraçava você. Graças a Deus, eu abracei muito você... e eu queria mesmo era que você fosse pequenininho, como quando você chegou da maternidade e mamãe te deu pra mim... só pra poder te aninhar no meu colo.

Você, meu irmãozinho... meu bebê, meu boneco, meu Manequinho... meu primeiro amigo, meu maior e mais precioso tesouro, minha melhor herança, a melhor parte de mim. Eu queria que você fosse pequenino ainda, queria te abraçar e nunca mais te largar do meu abraço.  Mas hoje eu senti você. Hoje eu senti naquela criança, o bebê que um dia você foi. Eu sei que você sabe o quanto eu te amo - Graças a Deus eu tive infinitas oportunidades de te falar isso - mas eu vou continuar dizendo, dizendo, dizendo... vou ficar falando sozinha... mas eu sei que você me escuta. Meu Anjo deve com certeza enviar esse amor pra você todos os dias. Então, Walter Sieczko dos Santos, meu amado e pra sempre amado irmão, recebe aí onde você está todo esse colo, todo meu amor, meus cuidados, meu apoio, meu carinho, minhas orações. Você é meu irmão! E eu sou a sua irmã mais velha... que sempre brigou com você pra escovar os dentes, tomar banho... e que também sempre te amou muito. Olha nossa foto, Waltinho... você com dias, e eu já segurando você no meu colo. Tinha que ser assim ainda muito mais tempo... mas o tempo, a Deus pertence. 


Orfanato Romão Duarte


segunda-feira, 10 de abril de 2017

SPONVILLE, 2000

"Nada está adquirido nunca, nada está prometido nunca, senão a morte. Por isso só se pode escapar à angústia aceitando isso mesmo que ela percebe, que ela recusa e que a transtorna. O quê? A fragilidade de viver, a certeza de morrer, o fracasso ou o pavor do amor, a solidão, a vacuidade, a eterna impermanência de tudo... Essa é a vida mesma, e não há outra. Solitária sempre. Mortal sempre. Pungente sempre. E tão frágil, tão fraca, tão exposta!"

(SPONVILLE, 2000)

domingo, 9 de abril de 2017

Metade (Oswaldo Montenegro)

Metade (Oswaldo Montenegro)

 Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimento
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
e a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Com você, sempre vivo no meu coração! Para Waltinho Sieczko.

Esta noite foi difícil dormir, meu irmão... Pensei que fosse ficar a madrugada toda pensando na batalha que você travou contra o câncer. Muitas vezes, me falta o ar... penso que vou parar de respirar e que vou deixar esta finitude complexa e indecifrável. Mas com certeza, mesmo sem entender, acredito que tudo nesta vida tenha um porquê. A vida para todos nós, é difícil... vamos por caminhos tão desconhecidos; pelo menos enquanto estamos acordados no "Palco Vida". Talvez ao dormir, esvanece-se o véu do esquecimento e aí então, tenhamos um pouco mais de discernimento... a visão vai clareando... Parece um teorema... trabalho difícil a ser decifrado. A vida às vezes me parece um tabuleiro de jogos, mas sem que saibamos as regras do jogo... ficamos à mercê de dogmas, interrogações sem sentido, diversas denominações religiosas, tentamos decodificar a fé... E misturamos tudo, tentando em vão chegar a uma conclusão, que nunca vem. Pode ser que o mistério seja tão simples, que nos passe despercebido! Como dizia o grande filósofo "ipse se nihil scire id unum sciat"  ou seja: "Só sei que nada sei". A única coisa concreta mesmo que sinto, é a falta que você me faz. É a falta de conversar com você, ouvir sua voz e rir das suas piadas... Waltinho, que saudade de ouvir pela enésima vez as suas histórias de PQD. Ou então você zoando "Judite" ou então o nosso irmão Victor. Suas gargalhadas ecoam nas minhas memórias... e essas lembranças me são tão acolhedoras. Como um menino de risada fácil, foi embora assim? Eu sempre achei seu olhar triste. Não triste, triste, mas um pouco triste... mas um triste bonito, tipo o olhar triste do galã Nicolas Cage, ou o olhar triste que faz o Gato de Botas quando faz alguma traquinagem e resolve se redimir, sabe? Será que seus olhos já sabiam de toda a prova que iam passar? Teve um momento no hospital que eu estava te olhando, meu irmão... e acho que você naquele momento estava se segurando para não chorar... vi que você estava com os olhos próximos a transbordar... olhava vagamente as imagens da TV sem som, mas você não estava ali... estava ausente... em algum outro lugar qualquer. Semblante triste, solitário, pensativo... um leve tremor nos lábios, como se fizesse forças para engolir o choro. Ali eu senti solidão. Naquele momento eu senti que você estava num lugar tão longe... me deu medo, senti aquela vontade de vomitar. Me deu desespero ao assistir aquele momento. Em nenhuma circunstância da vida, eu poderia imaginar aquela cena. E quando relembro, fica impossível não revivê-la. Está tão viva, tão latente, que sinto quase a mesma dor que senti naquele momento. Eu queria trocar de lugar com você, meu irmão. Trocaria na hora, sem pestanejar. Daria minha vida pela sua, como uma mãe dá a vida por um filho. Doeu em mim, como dói hoje, assim como vai doer eternamente. Eu fui até sua cama, perguntei se você queria conversar, falar alguma coisa, desabafar. Você apenas me olhou... e eu apenas beijei você na testa, puxei a cadeira e fiquei segurando sua mão. Também engoli o choro. Se PQD não chora, irmã de PQD também não pode chorar... não na frente do guerreiro, não na frente do audaz... Mas hoje, eu verto lágrimas diárias... não importa a hora, não importa o lugar. Quando eu lembro desse momento, não aguento. Fico pensando, Walter Sieczko dos Santos... o que passava em sua cabecinha naqueles instantes? Fostes um homem de fé. E eu vi o quanto a minha própria fé é vacilante. Eu, Andreia, pensei que fosse forte, eu pensei que fosse indestrutível, eu pensei que eu fosse capaz de passar por qualquer crise, prova, conflito, contenda, tensão... eu só pensei... porque eu esperava qualquer coisa da vida, mas nunca imaginei ver um irmão num cenário desse. Caí no chão... caí no choro, caí na agonia de ver tanto sofrimento... e você, em silêncio. Calado. Você, meu irmão, combateu o bom combate e não perdeu a sua fé. Você suportou toda essa expiação. Purgou durante todo o tempo, sereno. Raríssimos momentos de contida explosão. Alguma vez reivindicou respostas... mas sempre esteve atento na fé para para conhecer o porquê desta realidade. Meu irmão tão amado, retomei minha fé, porque é algo que busco tão dentro de mim, e de alguma forma, enxergo você. Eu acredito que Deus tem um propósito na vida de cada um de nós. É claro que essa força, essa luz existe... é claro que a vida não se extingue... nossa energia é infinita, somos todos partículas de uma força maior do que podemos entender. Só não sei porque dói tanto se eu creio em tudo isso. Sou uma roda gigante... Muitas vezes, beiro à loucura... É tanto sentimento... Ai, meu irmão... como está doendo. Preciso ter paciência para aceitar as coisas que eu não consigo entender, porque ainda não cheguei aonde você está agora. Eu só sei que dói... dói muito e nem gritando eu coloco pra fora essa dor que aperta meu peito. Eu rezo e converso com você! Peço a Deus, peço ao meu Anjo da Guarda que leve meu amor até você, para que você se sinta nutrido de carinho, amor e apenas boas energias! Meu irmãozinho... esteja bem, por favor! Paz e Luz. Eu te amo mesmo não sabendo onde você está... porque eu creio que laços de amor, elos familiares são mais fortes que o próprio limiar que nos separa. Com você, sempre vivo no meu coração, e sempre sorrindo em minha mente!

Sua irmã, Andréia Sieczko.






terça-feira, 4 de abril de 2017

Ney Matogrosso, interpreta Cazuza - Poema

Todos já devem saber que Cazuza era extremamente apaixonado por sua avó. O que poucos sabem é que a música "Poema" foi escrita para ela. Em uma história do livro O Tempo não Para, Lucinha Araújo retrata direitinho o caso, aconteceu mais ou menos assim:

Cazuza em uma tarde presenteou sua avó com um lindo poema, dos versos mais simples e tocantes. Quando Cazuza veio a falecer, sua mãe começou a juntar as coisas que pertenciam ao filho, para mais tarde montar um acervo.  Ela sabia que a avó de Cazuza guardava com muito carinho o poema que seu filho tinha a presenteado. Pedindo-a o poema, a avó recusou, dizendo que era um presente e que não poderia simplesmente dar pra ela. Lucinha ficou muito chateada.

Quando a avó de Cazuza também veio a falecer, Lucinha recebeu uma caixinha, onde nela estava presente este poema. Gostando muito do texto, ligou pro Frejat e perguntou-lhe se gostaria de uma parceria para idealizar a música. Lendo-a, Frejat passou uma noite em claro e conseguiu  finalmente transformar o poema em música. No entanto disse que ficaria perfeita na voz de Ney Matogrosso. O Ney lógico aceitou e assim surgia a música "Poema".

Fonte:
http://voltacazuza.blogspot.com.br/2014/08/historia-da-musica-poema.html




Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo

Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim

De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo

Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim

De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

Lendo e sentindo essa letra, escutando a belíssima e singular interpretação do Ney Matogrosso, lágrimas me lavam o rosto e a alma. Waltinho, essa música a partir de hoje, vai ser mais uma lembrança sua, meu irmão. Eu te amo tanto, meu irmãozinho. Assim como nosso passado me remete à nossa infância, nosso último abraço é "uma coisa sua que ficou em mim". Para sempre, Walter Sieczko dos Santos, meu amor e meu carinho! Irmãzinha te ama além deste plano, além dessa dimensão. Porque o amor é o elo mais forte dos mistérios de Deus!
Andréia Sieczko

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Ressignificando histórias


Onde me escondo da dor que me tortura?
Qual o melhor caminho para que eu consiga suportar esse vazio congelante em meu peito? Qual é o remédio eficaz que possa ser um paliativo, pelo menos por uma ou duas horas do meu dia? Não sei, não sei, não sei... procuro, mas é tudo em vão. Brinco de ser pedra, quem sabe assim eu me disfarce da dor latente da perda e da saudade. Mas o tempo perdura... e não é fácil brincar de ser pedra, porque eu não consigo esquecer o que me dói na carne e na alma. Então, eu volto... e tudo recomeça a amolgar meus sentimentos. Uma conjunção de dor física e espiritual. Tudo em mim, dói. Respostas que ficaram sem perguntas. A ausência é tão concreta e pesada, ocupando o espaço que é tão seu. A vida vai perdendo um pouco da sua graça, a medida que vamos perdendo a quem se ama. O colorido vai ficando embaçado, fosco, opaco, virando cinzas de um lume apagado. Somente a esperança de um dia te encontrar, disfarça em mim o luto que me será eterno até que esse dia aconteça. No aguardo dos dias, vou vivendo, alimentando memórias e dando um novo significado às lembranças que ficaram. Vou assim "ressignificando" minhas histórias e tentando fazer o reconhecimento do que já estava escrito. Essa dor nunca vai passar... e eu vou ter que aprender a conviver com ela. 


Para meu irmão, Walter Sieczko dos Santos.




sexta-feira, 31 de março de 2017

Sempre cuidando do caçula... Walter Sieczko dos Santos



Meu irmão, estou com tanta saudade de conversar com você pelo celular... Ás vezes era pra falar nada, besteira, dar um oi, dar aquelas "xingadinhas de afeição" que nós tínhamos um com o outro... tirar foto das "obras" que cada um deixava no vaso do banheiro, rsssss.  Foto de quem fazia o cocô mais bonito - óóóóh céus!!!! - Coisas de irmãos bobos que se gostavam muito; coisas que gente normal não entende, mas que fazia a gente se divertir bastante. Coisas de criança que já velhos, nos fazia  cair na gargalhada. Brincadeiras nossas, coisinhas tão nossas, que ninguém nunca vai entender, meu irmão... Você quando era pequenininho, tinha uns 4 anos, mijava fora do vaso sanitário, fazia xixi no banheiro todo... aí então, nossa mãe pintou uma joaninha dentro do vaso sanitário para você mirar em cima do desenho e pra isso tinha que se concentrar, rsss... Pronto! Virou "expert" em fazer xixi dentro do vaso e não fora dele!!!! Se concentrava tanto, que um dia a tampa do vaso fechou em cima do seu piruzinho, putz... foi um chororô só... mas acho que foi mais o susto que a dor! Caracas, acabei de lembrar do Fred, nosso coleguinha que era vizinho em Nova Iguaçu, lembra que ele estava soltando pipa em cima do muro, se desequilibrou e ficou pendurado pelo short, no arame farpado que servia de ofendículo em cima do muro???? Então, não era só pelo shorts que ele ficou pendurado... o arame farpado entrou na pele do prepúcio do garoto, rsss, fez-se ali uma fimose compulsória!!!! Lembranças... ah, como eu gosto delas... estou alimentando minhas memórias, e então cada vez mais elas vêm chegando... e vai me dando uma vontade louca de escrever pra você, já que não consigo mais falar contigo pelo telefone. Não poso deixar essas recordações perdidas no tempo e no espaço... preciso deixar registrado, que apesar da distância depois da vida adulta, temos muitas lembranças boas, que foram vividas na nossa infância. Seu nome nunca será esquecido, faço questão de escrever em toda postagem: "Walter Sieczko dos Santos", meu amado irmãozinho, para que se perpetue no infindo conjunto de rede tecnológica... para que quem sinta sua falta, possa conhecer suas histórias vividas na melhor fase da vida de qualquer pessoa, que é a infância. E eu fiz parte dela, irmão... tivemos o privilégio de dividir todas essas experiências terrenas, juntos! Amor de irmãos, amor fraterno, um amor tão lindo, que acho que não há outro igual. Eu continuo por aqui... rezando e pedindo a Deus que te cuide e te guarde. Tem dias que fica difícil até respirar. Tem dias que dói mais que os outros dias... porque parar de doer, nunca pára...

quinta-feira, 30 de março de 2017

Homenagem aos Paraquedistas que moram no Céu Walter Sieczko dos Santos



Recebi uma postagem com essa homenagem ao meu irmão Waltinho Sieczko, dos amigos Paraquedistas que serviram com ele no ano 93/5. Assim como ao Waltinho, a homenagem também foi para os outros companheiros, Guerreiros Alados que vivem agora no espaço dos Condores:  Sieczko, Perdigão, Valentim e Ivo, estejam na Glória de Deus. 27º Brigada de Infantaria Paraquedista - 93/5

Agradeço aos amigos PQDts do Waltinho, Flavio PDQ Amaral e Wagner Juliana por essa bonita homenagem, que me emocionou muito, me fez chorar e lembrar com muito amor do meu Guerreiro irmão.

Minha Família 
Meus Guerreiros Alados

Valter Rodrigues dos Santos       - PQD 19.730
Walter Sieczko dos Santos         - PQD 57.154
Victor Hugo Araujo dos Santos  - PQD 71.475

terça-feira, 28 de março de 2017

Simbiose, marcas de nascença entre irmãos.

Waltinho, tem coisas que o mundo não muda, tem provas que não podem ser mudadas, coisas que simplesmente não desaparecem porque assim alguém deseja. A vida é muito mais forte que isso, tem coisas muito mais importantes, ainda que pareçam tão superficiais... um detalhe tão bobo, um marca ínfima, mas que desse detalhe, eu ganho forças pra saber que você está em mim, assim como eu estou em você. Hoje de manhã, como todas as manhãs, eu já me levanto pensando em você. Já sinto aquela dorzinha da saudade que as pessoas dizem que um dia ameniza, desaparece; mas que pra mim, só faz aumentar a cada dia... Vou ao banheiro, sinto uma coceirinha nas costas... então vou me coçar... me vejo entre os 2 espelhos do banheiro e visualizo o quê, em minhas costas, coça: um pinta! Uma pintinha igualzinha a que você tinha, no mesmo lugar! Acho que a pinta tá crescendo... penso rapidamente em marcar consulta com Dra. Rosane, pedir pra extirpar o sinal... mas imediatamente, me lembro de ti, meu irmão... Lembrei das suas costas, nas diversas vezes que Graças a Deus eu tive a oportunidade de lhe dar conforto e alívio lhe massageando as costas cansadas dos dias e dias, em um leito de hospital. Lembrei então que você tinha essas mesmas marcas de nascença, um sinal herdado, simbiose... associação íntima entre duas pessoas, filhos do mesmo pai e da mesma mãe... interação entre espécies, harmonia entre dois seres. Eu tenho suas marcas em mim, assim como você as tem em seu corpo, agora perispiritual. Ainda não sei se essa pinta é da mãe, ou se é do pai. Vou desbravar as costas da nossa mãe... pra ver quem nos deu esse sinal. Eu já tinha descoberto outros sinais com minha mãe... mas nunca tinha percebido que também dividia com você essa herança. Agora eu sei que tenho em mim, um sinal que também é seu, que é nosso. Que muito provavelmente, pode ser que tenham seus filhos, não sei... Olho suas fotos, procuro com cuidado mais sinais, outras pintas, e sorrio ao perceber mais 2 pintinhas, uma coladinha na outra, que eu e sua mãe temos acima do peito esquerdo, mas em você, está nas costas, quadrante superior esquerdo... Você quando era pequeno, bebê de colo, gostava de ver as pintas da sua mãe... e contava os sinais. Pequenininho apontava para o peito materno  e dizia: "pnnta". Assim mesmo, "pnnta", a letra "p" e a letra "n"... som anasalado, sem o som do "i". Isso, meu irmão, vem como bálsamo, recebo como um presente, saber que dividimos as mesmas características, o mesmo sangue, a mesma ascendência. Você é meu irmão, meu amado irmão, a quem sempre vou amar, não importa onde esteja, não importa nada... você é meu irmão e nada, nem ninguém muda esse estado. Eu agradeci por essa percepção... fui agraciada logo pela manhã... você segue em mim... eu sigo em você. Conexão, amor fraterno, amor de irmãos, o amor mais lindo que eu conheço! Então eu faço uma oração, peço ao Jeffrey que conecte com seu Anjo... digo seu nome: Walter Sieczko dos Santos... e te envio meu amor, te envio boas energias, suspiro... preciso me arrumar e ir trabalhar, eu preciso do meu trabalho. Mas levo você comigo. E Deus me levanta, me suporta para mais um dia de caminhada.